* Texto publicado no livro 'I COLETANEA-SCRIPTUS' (Editora Novitas) - Adquira o seu (Clique AQUI!).
Para existir, eu preciso primeiro não existir, não estar. Sub-habitar um fechar de olhos indeterminado e indeterminante.
Para existir, eu preciso primeiro possuir a distância nas mãos. Dominar as pausas dos meus dias.
Para existir eu preciso estar longe de tudo o que me toca, espinhoso e invasivo e me fere por dentro. Preciso criar, lambida por lambida, a casca de proteção para o que me é externo, até que a pele engrosse e torne-se fortaleza. E eu preciso que tu não estejas por perto. Porque já não sei mais diferenciar o meu fim do teu começo e a tua vida não pode em hipótese alguma, devorar a minha.
Eu me desfaço da tua simbiose. Eu me liberto da tua corrente pesada. Eu arrebento os teus grilhões.
Eu preciso existir inteira novamente. Una. Preciso do meu invólucro macio e impenetrável. Aninhar-me no casulo das palavras e inventar um novo corpo, um novo coração, um novo lábio, novos olhos, novas dermes, novos poros, nova solidão.
Para existir eu preciso primeiro morrer para a dor que eu era, escurecer as perdas e as decepções, trancafiar os demônios mais antigos nos baús incomunicáveis do passado. Esvaziar as gavetas das imperfeições e dos erros cometidos.
Para existir inteira novamente eu preciso ir embora de ti um pouco. Praticar a solitude em doses diárias. Pra manter minha sanidade em dia com a minha loucura. Pra manter a minha fantasia sempre mais forte que a minha realidade. Abandonar-te por instantes quase-mínimos e quase-eternos e buscar a cura pra mim, pra ti.
Desfuncionar a mímica das tuas mãos.
Para existir, eu preciso gerar e parir meus dialetos de maneira mais certa, mais simples, mais audível.
Para existir eu preciso desligar em mim o que me mantém em estado de alerta. Relaxar. Deixar-me entregue às levezas das coisas que não vemos senão dentro de nós.
Para existir eu preciso primeiro fazer um pouco de mágica. Explodir a fúria da criação. Sozinha.
Deitar-me com a minha solitude, nua, vulnerável, até que eu seja tão intensa e transbordante quanto a minha vontade de ser outra.
Para existir, eu preciso primeiro não existir. Não ser. Só saber-me no além-mim.
Abstrair-me de tudo. De ti. De mim mesma. Desaprender quem eu sou. Emudecer minha voz, minhas tempestades, meus raios, meus estrondos. Escorrer minha lava sem medo. Destilar minha essência em gotas vagarosas de êxtases e abismos.
Pingar minha solidão fecunda no chão da vida absurda que me penetra, ereta e viril.
Para existir, eu preciso primeiro desaparecer.... Nascer pra dentro.
Implodir minha inevitável crisálida.
Para existir.
Para existir, eu preciso primeiro possuir a distância nas mãos. Dominar as pausas dos meus dias.
Para existir eu preciso estar longe de tudo o que me toca, espinhoso e invasivo e me fere por dentro. Preciso criar, lambida por lambida, a casca de proteção para o que me é externo, até que a pele engrosse e torne-se fortaleza. E eu preciso que tu não estejas por perto. Porque já não sei mais diferenciar o meu fim do teu começo e a tua vida não pode em hipótese alguma, devorar a minha.
Eu me desfaço da tua simbiose. Eu me liberto da tua corrente pesada. Eu arrebento os teus grilhões.
Eu preciso existir inteira novamente. Una. Preciso do meu invólucro macio e impenetrável. Aninhar-me no casulo das palavras e inventar um novo corpo, um novo coração, um novo lábio, novos olhos, novas dermes, novos poros, nova solidão.
Para existir eu preciso primeiro morrer para a dor que eu era, escurecer as perdas e as decepções, trancafiar os demônios mais antigos nos baús incomunicáveis do passado. Esvaziar as gavetas das imperfeições e dos erros cometidos.
Para existir inteira novamente eu preciso ir embora de ti um pouco. Praticar a solitude em doses diárias. Pra manter minha sanidade em dia com a minha loucura. Pra manter a minha fantasia sempre mais forte que a minha realidade. Abandonar-te por instantes quase-mínimos e quase-eternos e buscar a cura pra mim, pra ti.
Desfuncionar a mímica das tuas mãos.
Para existir, eu preciso gerar e parir meus dialetos de maneira mais certa, mais simples, mais audível.
Para existir eu preciso desligar em mim o que me mantém em estado de alerta. Relaxar. Deixar-me entregue às levezas das coisas que não vemos senão dentro de nós.
Para existir eu preciso primeiro fazer um pouco de mágica. Explodir a fúria da criação. Sozinha.
Deitar-me com a minha solitude, nua, vulnerável, até que eu seja tão intensa e transbordante quanto a minha vontade de ser outra.
Para existir, eu preciso primeiro não existir. Não ser. Só saber-me no além-mim.
Abstrair-me de tudo. De ti. De mim mesma. Desaprender quem eu sou. Emudecer minha voz, minhas tempestades, meus raios, meus estrondos. Escorrer minha lava sem medo. Destilar minha essência em gotas vagarosas de êxtases e abismos.
Pingar minha solidão fecunda no chão da vida absurda que me penetra, ereta e viril.
Para existir, eu preciso primeiro desaparecer.... Nascer pra dentro.
Implodir minha inevitável crisálida.
Para existir.
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* Foto: José Luis Álvarez










